O dia em que a terra parou

Que foi onde tudo comecou....

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iemai:

Hidden Beach on Marieta Islands, off the coast of Puerto Vallarta, Mexico

trebienn:

Dali and Gala in their Paris atelier, Brassai, 1932-33.

trebienn:

Dali and Gala in their Paris atelier, Brassai, 1932-33.

(Source: calabarr)

Ah, naquele tempo eu não sabia, hoje é que sei: que, para a gente se transformar em ruim ou em valentão, ah basta se olhar um minutinho no espelho – caprichando de fazer cara de valentia; ou cara de ruindade! Mas minha competência foi comprada a todos custos, caminhou com os pés da idade. E, digo ao senhor, aquilo mesmo que a gente receia de fazer quando Deus manda, depois quando o diabo pede se perfaz. O Danador! Mas Diadorim estava a suaves. – “Olha, Riobaldo,” – me disse – “nossa destinação é de glória. Em hora de desânimo, você lembra de sua mãe; eu lembro de meu pai…” Não fale nesses, Diadorim… Ficar calado é que é falar nos mortos… Me faltou certeza para responder a ele o que eu estava achando. Que vontade era de por meus dedos, de leve, o leve, nos meigos olhos dele, ocultando, para não ter de tolerar de ver assim o chamado, até que ponto esses olhos, sempre havendo, aquela beleza verde, me adoecido, tão impossível.

Guimarães Rosa - Grande Sertão - Veredas. (via trebienn)

(Source: calabarr)

(Jim:) - Por que diabos estou tendo um caso? Seis horríveis meses de restaurantes escuros, bares tristes e quartos de hotel baratos. Isso sem falar nos telefonemas furtivos, na tensão e no desprezo por mim mesmo.
(Fred:) - O que o seu psiquiatra disse sobre isso?
- Ele me disse para parar.
- E você…
- Eu parei… de ir ao psiquiatra.
- Melhor assim, a maioria deles tem um gravador escondido.

Woody Allen - Adultérios. (via trebienn)

(Source: calabarr)

Conserva as esperanças,
Pois a idade não faz aos velhos infantis,
Como algures se diz,
Apenas já os encontra autênticas crianças.

Goethe - Fausto. (via trebienn)

(Source: calabarr)

1. Cada um de nós não tem de seu nem de real senão a sua própria individualidade.
2. Aumentar é aumentar-se.
3. Invadir a individualidade alheia é, além de contrário ao princípio fundamental, contrário (por isso mesmo também) a nós mesmos, pois invadir é sair de si, e ficamos sempre onde ganhamos (Por isso o criminoso é um débil, e o chefe um escravo.) (O verdadeiro forte é um despertador, nos outros, de energias deles. O verdadeiro mestre é um mestre de o não acompanharem.)
4. Atrair os outros a si é, ainda assim, o sinal da individualidade.

Fernando Pessoa - Reflexões Pessoais. (via trebienn)

(Source: calabarr)

Chicó – É, o cachorro já estava morto, mas você sabe como esse povo rico é cheio de confusão com os mortos. Eu, às vezes, chego a pensar que só quem morre completamente é pobre, porque com os ricos a confusão continua por tanto tempo, que chega a parecer que ou eles não morrem direito, ou a morte deles é outra!

Ariano Suassuna - O Auto da Compadecida. (via trebienn)

(Source: calabarr)

Foi mais difícil e doloroso para mim admitir que tinha inimigos entre pessoas que mal ou nem sequer conhecia. Sempre havia pensado, com a ingenuidade de que já lhe dei algumas provas, que os que não me conheciam não poderiam deixar de gostar de mim se tivessem chegado a conviver comigo. Pois bem, nada disso! Encontrei inimizades sobretudo entre os que só me conheciam muito por alto e sem que eu próprio os conhecesse. Suspeitavam, sem dúvida, de que eu vivia intensamente e num livre abandono à felicidade; e isto, não se perdoa. A aparência de sucesso, quando se apresenta de certa maneira, é capaz de irritar até o mais bondoso dos santos.

Albert Camus - A Queda. (via trebienn)

(Source: calabarr)

Encontro pela vida milhões de corpos; desses milhões posso desejar centenas; mas dessas centenas, amo apenas um. O outro pelo qual estou apaixonado me designa a especialidade do meu desejo.
Foram precisos muitos acasos, muitas coincidências surpreendentes (e talvez muitas procuras), para que eu encontre a Imagem que, entre mil, convém ao meu desejo. Eis um grande enigma do qual nunca terei a solução: por que desejo Esse? Por que o desejo por tanto tempo, languidamente? É ele inteiro que desejo (uma silhueta, uma forma, uma aparência)? Ou é apenas uma parte desse corpo? E nesse caso, o que, nesse corpo amado, tem tendência de fetiche em mim? Que porção, talvez incrivelmente pequena, que acidente? O corte de uma unha, um dente um pouquinho quebrado obliquamente, uma mecha, uma maneira de fumar afastando os dedos para falar? De todos esses relevos do corpo tenho vontade de dizer que são adoráveis. Adorável quer dizer: este é meu desejo, tanto que único: “É isso! É exatamente isso (que amo)!

Roland Barthes - Fragmentos de Um Discurso Amoroso. (via trebienn)

(Source: calabarr)